Relatar experiências com a leitura é
sempre emocionante, pois é uma atividade nostálgica e saudosista, que me traz à
memória pessoas importantes da minha vida, muitas delas que já se encontram em
outro plano, mas que, passando por aqui, marcaram histórias alheias.
Na
minha infância, as experiências não eram boas porque meus pais não tinham
condições financeiras e desconheciam a importância de presentear com livros.
Meu sonho era ter a coleção dos clássicos infantis, aquelas de capa dura, com
imagens que se movimentam. Estes foram conseguidos muitos anos mais tarde, em
um sebo em São Paulo, para a alegria de minha filha, embora não tivessem o
mesmo sabor. Talvez eu tenha projetado o meu sonho para a realidade dela, mas a
atemporalidade dos clássicos é uma virtude incontestável.
Logo
chegaram os primeiros anos de escolaridade e eu me transportava para os mais
variados lugares, nas primeiras histórias lidas por meus próprios olhos. O
livro didático era explorado em casa, antes da professora orientar.
Mais
tarde vieram os livros da coleção Vaga-lume
, retirados em empréstimo na rica biblioteca da escola. Eram tardes e tardes
nos finais de semana, viajando, “transubstanciando”, comungando autores vezes
consagrados, outras não. E depois “O Pequeno Príncipe”, “Fernão Capelo
Gaivota”, “O Menino do Dedo Verde” contribuíram ricamente para a minha formação
de valores humanos. E assim, conforme amadurecia, novas obras eram tomadas por
gosto. Lembro-me que lia Best-sellers (no auge de Sidney Sheldon e dos meus
quinze anos) escondido da saudosa D.Yara, professora de português. Devorava-os
nos intervalos da escola e hoje entendo porque ela os criticava. Isso agora não
tem a menor importância, pois acredito que para que alguém leia com
criticidade, é preciso primeiro contagiar-se com o “vírus” da leitura e com ela
amadurecer. Ainda ontem li, logo pela manhã, nas pagelas da Folhinha do Coração
de Jesus: “Cada leitor é, quando lê, o leitor de si mesmo”.
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