Ao ler e escutar os depoimentos
dessas pessoas que são, na verdade, uma mistura de profissões, de formações, de
indivíduos brilhantes, leva-nos à reflexão e ao questionamento de como nos
tornamos leitores? Como passamos a gostar de ler e, posteriormente, a escrever?
Na maioria das vezes o papel fundamental para despertar o gosto pela leitura e
escrita surge dentro do ambiente familiar. Antigamente, mães e avós não
trabalhavam e a educação ficava a cargo dessas mulheres que dedicavam algum
tempo para contar histórias, ler um livro para seus filhos, ajudá-los nas
tarefas escolares. Hoje pais e mães têm de trabalhar para, juntos, compor a
renda familiar e os filhos passam a maior parte do tempo assistindo TV,
assistindo a programas que muitas vezes não trazem incentivos para sua
formação, ou jogando videogames por vezes violentos, ou navegando pela
internet. É claro que os recursos midiáticos podem trazer benefícios, mas para
que isso ocorra, há a necessidade de se ter uma orientação. A escola, por outro
lado, deveria sanar essa ausência de estímulo familiar com relação à leitura e
à escrita, mas tornou-se um ambiente pouco atrativo comparando-se aos recursos
que as crianças têm acesso atualmente.
Sou da época que poucos tinham TV
em suas residências. Assistíamos, muitas vezes, nas casas dos ‘coleguinhas mais
abastados’; brincávamos de amarelinha, cobra cega, passa anel e ouvíamos nossas
mães e avós contarem histórias que nos encantavam. Ansiávamos por aprender a
ler e, até hoje, lembro-me como isso ocorreu de uma hora para outra: de repente
comecei a ler placas, rótulos de embalagens, capas de livros e daí foi um passo
para a leitura espontânea.
Acredito que a formação de um
leitor deva acontecer, primeiramente, no ambiente familiar. Assim, as escolas
deveriam elaborar projetos que abarcassem não só alunos, mas também seus
familiares.
Cileide Lopes
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