Apresentação

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Depoimento de leitura e escrita



Ao ler e escutar os depoimentos dessas pessoas que são, na verdade, uma mistura de profissões, de formações, de indivíduos brilhantes, leva-nos à reflexão e ao questionamento de como nos tornamos leitores? Como passamos a gostar de ler e, posteriormente, a escrever? Na maioria das vezes o papel fundamental para despertar o gosto pela leitura e escrita surge dentro do ambiente familiar. Antigamente, mães e avós não trabalhavam e a educação ficava a cargo dessas mulheres que dedicavam algum tempo para contar histórias, ler um livro para seus filhos, ajudá-los nas tarefas escolares. Hoje pais e mães têm de trabalhar para, juntos, compor a renda familiar e os filhos passam a maior parte do tempo assistindo TV, assistindo a programas que muitas vezes não trazem incentivos para sua formação, ou jogando videogames por vezes violentos, ou navegando pela internet. É claro que os recursos midiáticos podem trazer benefícios, mas para que isso ocorra, há a necessidade de se ter uma orientação. A escola, por outro lado, deveria sanar essa ausência de estímulo familiar com relação à leitura e à escrita, mas tornou-se um ambiente pouco atrativo comparando-se aos recursos que as crianças têm acesso atualmente.
Sou da época que poucos tinham TV em suas residências. Assistíamos, muitas vezes, nas casas dos ‘coleguinhas mais abastados’; brincávamos de amarelinha, cobra cega, passa anel e ouvíamos nossas mães e avós contarem histórias que nos encantavam. Ansiávamos por aprender a ler e, até hoje, lembro-me como isso ocorreu de uma hora para outra: de repente comecei a ler placas, rótulos de embalagens, capas de livros e daí foi um passo para a leitura espontânea.
Acredito que a formação de um leitor deva acontecer, primeiramente, no ambiente familiar. Assim, as escolas deveriam elaborar projetos que abarcassem não só alunos, mas também seus familiares.



Cileide Lopes

domingo, 21 de outubro de 2012

Lembranças de Leitura



Relatar experiências com a leitura é sempre emocionante, pois é uma atividade nostálgica e saudosista, que me traz à memória pessoas importantes da minha vida, muitas delas que já se encontram em outro plano, mas que, passando por aqui, marcaram histórias alheias.
            Na minha infância, as experiências não eram boas porque meus pais não tinham condições financeiras e desconheciam a importância de presentear com livros. Meu sonho era ter a coleção dos clássicos infantis, aquelas de capa dura, com imagens que se movimentam. Estes foram conseguidos muitos anos mais tarde, em um sebo em São Paulo, para a alegria de minha filha, embora não tivessem o mesmo sabor. Talvez eu tenha projetado o meu sonho para a realidade dela, mas a atemporalidade dos clássicos é uma virtude incontestável.
            Logo chegaram os primeiros anos de escolaridade e eu me transportava para os mais variados lugares, nas primeiras histórias lidas por meus próprios olhos. O livro didático era explorado em casa, antes da professora orientar.
            Mais tarde vieram os livros da coleção Vaga-lume , retirados em empréstimo na rica biblioteca da escola. Eram tardes e tardes nos finais de semana, viajando, “transubstanciando”, comungando autores vezes consagrados, outras não. E depois “O Pequeno Príncipe”, “Fernão Capelo Gaivota”, “O Menino do Dedo Verde” contribuíram ricamente para a minha formação de valores humanos. E assim, conforme amadurecia, novas obras eram tomadas por gosto. Lembro-me que lia Best-sellers (no auge de Sidney Sheldon e dos meus quinze anos) escondido da saudosa D.Yara, professora de português. Devorava-os nos intervalos da escola e hoje entendo porque ela os criticava. Isso agora não tem a menor importância, pois acredito que para que alguém leia com criticidade, é preciso primeiro contagiar-se com o “vírus” da leitura e com ela amadurecer. Ainda ontem li, logo pela manhã, nas pagelas da Folhinha do Coração de Jesus: “Cada leitor é, quando lê, o leitor de si mesmo”.